Associação Brasileira de Recursos Humanos

Quando o preconceito silencioso impacta pessoas, empresas e resultados

É sobre construir empresas onde todas as pessoas, independentemente de suas características ou limitações, possam se sentir capazes para colaborar

Por Beethoven Brasileiro

A diversidade se tornou um dos pilares das empresas inovadoras e competitivas. Ainda há, no entanto, uma barreira invisível que segue pouco debatida e gera impactos diretos no trabalho, na saúde mental dos colaboradores e, consequentemente, nos resultados financeiros das organizações. Essa barreira é o capacitismo.

O capacitismo é todo preconceito, discriminação e invisibilidade de pessoas com deficiência. Embora muitas empresas já discutam temas como gênero, raça e orientação sexual, a inclusão de pessoas com deficiência ainda enfrenta desafios estruturais, culturais e, principalmente, de atitude.

Por meio de ações, piadas, olhares, julgamentos e até palavras do cotidiano o capacitismo é manifestado. Expressões como “dar uma de João sem braço”, “mais perdido do que cego em tiroteio” ou “você é demente” não são inofensivas. Elas reforçam estigmas e constroem ambientes hostis, ainda que de forma inconsciente.

Essas práticas impactam diretamente a segurança psicológica e tendem a sufocar a criatividade, reduzir a colaboração e aumentar os níveis de estresse e adoecimento mental. Estudos reforçam isso. Segundo a pesquisa “The Diversity Bonus”, equipes diversas resolvem problemas complexos de forma mais eficaz do que grupos homogêneos.

Relatório da McKinsey & Company mostra que empresas com diversidade de gênero são 25% mais propensas a terem uma lucratividade acima da média. Embora haja menos dados específicos sobre deficiência, o relatório “Getting to Equal 2020” da Accenture aponta que empresas líderes em inclusão de pessoas com deficiência obtêm uma receita 28% maior, têm o dobro da margem de lucro e 30% mais produtividade.

Segundo o IBGE, mais de 18,6 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de deficiência, representando cerca de 8,9% da população. Mesmo assim, essas pessoas enfrentam mais dificuldade para ingressar e se manter no mercado de trabalho.

Empresas que investem em diversidade apresentam melhores resultados em inovação, clima organizacional e resultados financeiros. Ou seja, falar sobre capacitismo é mais do que um compromisso social, é uma estratégia de negócios. É sobre construir empresas onde todas as pessoas, independentemente de suas características ou limitações, possam se sentir capazes para colaborar, prosperar e ocupar cargos de gestão e liderança.

Diversidade não é apenas um valor. É um motor de inovação, crescimento e sustentabilidade. Proporcionar segurança psicológica é o combustível para que essa diversidade floresça, gere impacto e transforme realidades dentro e fora das empresas.

Beethoven Brasileiro é publicitário, pós-graduado em Diversidade e Práticas Inclusivas e voluntário da ABRH-ES 

Fonte: https://esbrasil.com.br/quando-o-preconceito-silencioso-impacta-pessoas-empresas-e-resultados/