Associação Brasileira de Recursos Humanos

A coragem de ser real: a nova competência da liderança

A nova competência da liderança não está apenas na estratégia, mas na autenticidade com que se vive cada decisão

Por Maria Eliene Dalvi

Vivemos uma profunda transição de paradigmas na forma de liderar. O que antes era sinônimo de controle, autoridade e domínio técnico, hoje dá lugar à escuta, à presença e à vulnerabilidade consciente. Ser líder, no mundo atual, exige uma competência que nem sempre aparece nos livros de gestão: a coragem de ser real.

Ser real é ter coragem de se olhar, de reconhecer suas limitações, suas emoções e, sobretudo, de não precisar sustentar máscaras para manter uma posição de poder. É compreender que, por trás de cada papel profissional, existe um ser humano em processo — e que a liderança começa exatamente aí: na capacidade de reconhecer-se humano diante dos outros.

A liderança que inspira não é a que sabe tudo, mas a que se conecta de forma verdadeira. A nova competência da liderança não está apenas na estratégia, mas na autenticidade com que se vive cada decisão. Líderes que sabem dizer “não sei”, que acolhem suas vulnerabilidades e que se colocam disponíveis para aprender com a equipe, constroem ambientes emocionalmente seguros e muito mais potentes.

Esse novo perfil de liderança não elimina a necessidade de resultados, metas ou excelência. Pelo contrário: ele amplia a capacidade de entrega, pois ativa o engajamento genuíno. Quando as pessoas se sentem vistas e respeitadas, elas oferecem o melhor de si — não por medo, mas por pertencimento.

A coragem de ser real também se traduz na autorresponsabilidade emocional. Em vez de reagir por impulso, o líder consciente busca compreender os porquês de seus sentimentos e como eles impactam o grupo. Essa autorregulação emocional não é fácil, mas é treinável — e transforma completamente a forma como os conflitos são conduzidos.

Mais do que técnicas, hoje precisamos de líderes que façam as pazes com suas histórias, que consigam integrar luz e sombra, razão e emoção, ação e pausa. Líderes que compreendam que liderar pessoas é, antes de tudo, uma jornada de desenvolvimento humano e espiritual.

Essa nova competência pode ser cultivada. Ela começa com perguntas simples e potentes:
Quem sou eu para além do meu cargo? O que me impede de ser mais verdadeiro nas minhas relações? Que versões de mim estou pronto para liberar e quais estou pronto para expressar com coragem?

Ser real é um ato revolucionário no mundo corporativo. E talvez, justamente por isso, seja a mais poderosa das competências.

Maria Eliene Dalvi é treinadora de bem-estar corporativo e diretora da ABRH-ES

Fonte: https://esbrasil.com.br/a-coragem-de-ser-real-a-nova-competencia-da-lideranca/