Setembro Amarelo reforça que cuidar da mente todos os dias é, antes de tudo, um compromisso consigo mesmo
Por Neidy Christo
O Setembro Amarelo nos lembra da importância de falarmos sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Mas, mais do que um mês de campanhas, esse é um chamado para uma prática diária: cuidar da nossa mente. E, como passamos boa parte da vida no trabalho, é fundamental olhar para como nossas rotinas profissionais impactam diretamente o nosso bem-estar emocional.
Cuidar da saúde mental no trabalho não é luxo, é necessidade. Quando negligenciada, abre espaço para o estresse crônico, para o esgotamento e até para quadros mais graves, como o burnout. O ambiente corporativo pode ser um espaço de realização e pertencimento, mas também pode se tornar fonte de adoecimento. A diferença está em como cada um de nós, gestores, equipes e empresas, se posiciona diante desse desafio.
O primeiro passo é aprender a ouvir os sinais do nosso corpo e da nossa mente. Cansaço que não passa, falta de motivação, irritabilidade constante ou dificuldade de concentração não são frescura, são alertas. Respeitar pausas, dormir bem e manter hábitos de autocuidado precisam ser prioridade.
No dia a dia, pequenas práticas fazem grande diferença: organizar prioridades em vez de tentar abraçar tudo de uma vez; impor limites saudáveis, dizendo “não” quando necessário; buscar conexões genuínas com colegas, que são fonte de apoio nos momentos de pressão. Relações positivas no trabalho reduzem o estresse e fortalecem a resiliência.
As empresas também têm um papel essencial. Criar ambientes de segurança psicológica, oferecer canais de escuta, valorizar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e promover diálogos abertos sobre saúde mental são atitudes que salvam. Já nós, líderes, quando damos o exemplo — respeitando limites, incentivando pausas e valorizando o bem-estar, abrimos espaço para que nossas equipes façam o mesmo.
Cuidar da mente todos os dias é, antes de tudo, um compromisso consigo mesmo. Significa entender que produtividade real só existe quando há equilíbrio, e que ninguém precisa enfrentar seus desafios sozinho. Pedir ajuda é coragem, não fraqueza.
O Setembro Amarelo é um lembrete poderoso, mas a saúde mental não pode ficar restrita a um mês. Ela deve estar presente em nossas escolhas, em nossas rotinas e em nossas relações, dentro e fora do trabalho.
E você: o que tem feito diariamente para que sua vida profissional seja também um espaço de cuidado e não de adoecimento?
Neidy Christo é presidente da ABRH/ES, doutoranda em Administração e Consultora em Desenvolvimento Humano.

Fonte: https://esbrasil.com.br/setembro-amarelo-e-o-trabalho/