Ser uma liderança feminina continua sendo desafiador, e não por falta de competência, mas por um conjunto de barreiras culturais
Por Neidy Christo
É curioso (e inquietante) perceber que, mesmo com tantos avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, ainda seja necessário justificar, explicar ou provar porque estar em posições de liderança é um direito — e não um favor — para nós.
Ser uma liderança feminina continua sendo desafiador, e não por falta de competência, mas por um conjunto de barreiras culturais, estruturais e simbólicas que persistem no imaginário corporativo.
A mulher que lidera ainda carrega o peso do olhar duplo: ao mesmo tempo em que se espera dela uma performance impecável, também se cobra delicadeza, controle emocional e postura “adequada” — como se fôssemos avaliadas o tempo todo com uma régua diferente.
Quando somos firmes, somos vistas como duras. Quando demonstramos emoção, somos frágeis. Quando somos assertivas, somos autoritárias. E assim, vamos equilibrando expectativas, tentando caber em moldes que não foram feitos para nós.
Além disso, muitas de nós enfrentam a sobrecarga invisível. Liderar no trabalho, gerenciar uma casa, cuidar da família, lidar com culpas (que, muitas vezes, não deveriam ser nossas) e ainda encontrar tempo para si mesma. Muitas vezes, a conta não fecha e ainda assim seguimos, porque desistir não é opção.
Mas é justamente nesse cenário que reside nossa força. As mulheres que ocupam espaços de liderança hoje não estão apenas abrindo caminhos para si, mas também pavimentando possibilidades para outras que virão. E, mais do que nunca, precisamos apoiar umas às outras. Precisamos verdadeiramente aprender que sororidade não é discurso, é estratégia de sobrevivência e crescimento.
Na prática, há caminhos que podem (e devem) ser fortalecidos: buscar redes de apoio, investir em autoconhecimento, dizer “não” quando for necessário, compartilhar experiências, ocupar espaços com coragem, mesmo que com medo, e, acima de tudo, liderar com autenticidade, sem tentar imitar modelos que não nos representam.
Empresas também precisam fazer sua parte. Avaliar critérios de promoção, repensar políticas de equidade, promover lideranças mais diversas e, principalmente, ouvir as mulheres. Criar ambientes onde possamos ser inteiras e não apenas parte de um estereótipo, é urgente!
Ser uma liderança feminina hoje ainda é desafiador. Mas é também necessário, potente e transformador. E, apesar dos obstáculos, seguimos abrindo portas, construindo pontes e mostrando, com resultados, que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive, no topo.
E você? Está contribuindo para um ambiente onde mulheres possam liderar com liberdade ou apenas tolerando sua presença onde deveriam ser celebradas?
Neidy Christo é presidente da ABRH/ES, doutoranda em Administração e Consultora em Desenvolvimento Humano

Fonte: https://esbrasil.com.br/por-que-ainda-e-tao-desafiador-ser-uma-lideranca-feminina-nos-dias-de-hoje/